Vexame brasileiro precisa deixar um legado

(texto escrito por: Bruno Secco – Doentes por Futebol)

O Brasil sofreu, na tarde desta terça-feira (8), a maior goleada de sua história. Foram sete gols sofridos, enquanto apenas um foi marcado, no final do jogo, quando o time comandado por Joachim Löw já encarava a partida como um treino de luxo. Foi um dos maiores vexames da história das Copas, algo que o futebol pentacampeão do mundo definitivamente não merecia passar.

Tecnicamente falando, é do conhecimento de todos os Doentes por Futebol que a Alemanha tinha, de fato, um time bem mais qualificado que o brasileiro. A grande surpresa desta partida, por incrível que pareça, foi tática: Joachim Löw, neste quesito, deu um belo banho em Felipão que, mesmo sabendo da força do meio de campo alemão, insistiu no 4-2-3-1.

O engessado 4-2-3-1 foi apenas uma das falhas do técnico da seleção brasileira. Enquanto Löw se livrou de suas vaidades – graças às duras críticas da imprensa alemã, surgidas após o jogo contra a Argélia -, Felipão continuou apostando em peças que já tinham se mostrado estéreis anteriormente.

Bancar Fred, mesmo com o centroavante apresentando, jogo após jogo, um futebol que nem para banco da seleção serviria. Investir em Bernard no lugar de Neymar, quando o certo era fechar os espaços. Enfrentar a Alemanha com um meio de campo tão exposto – sendo que os alemães têm um dos meios mais fortes do planeta, quiçá o mais forte -, dar, por consequência, espaços para que eles tocassem a bola – algo que Portugal já havia feito e terminou com consequências desastrosas.

Alemães comemorando diante da tristeza de brasileiros | Foto: Getty Images

Alemães comemorando diante da tristeza de brasileiros | Foto: Getty Images

Escolhas totalmente precipitadas, feitas na base do desespero, da pressão de jogar em casa diante de sua torcida e, principalmente, feitas por um técnico que parou no tempo, que não se renova e que acha que o futebol segue sua mesma linha de raciocínio. Felizmente, o esporte bretão vive em constante evolução.

Se formos mais a fundo, veremos que nosso treinador convocou mal. Talvez a seleção convencesse mais nesta Copa do Mundo caso contasse com a presença de Philipe Coutinho, que voou na última temporada, vestindo a camisa do Liverpool. No final das contas, ele acabou fazendo muita falta no meio da seleção.

A mentalidade de Felipão reflete bastante o atual panorama do futebol brasileiro. Um futebol sem brilho, atrasado e que não se renova, apenas vive de resultados. Talvez este seja um bom motivo que faça com que muitos amantes do bom futebol passem a acompanhar mais os campeonatos internacionais, sejam eles marcados por grandes torcidas, times com grandes craques ou técnicos que, ano após ano, apostam e inovam taticamente.

Inovação. Repensar os conceitos. Resgatar as raízes. É o que falta para o nosso futebol. É difícil, e as perspectivas para o futuro não são as melhores, mas essa derrota massacrante para a Seleção Alemã precisa deixar um legado para o futebol e a Seleção do Brasil. Brasil pentacampeão do mundo, Brasil do maior jogador da história do futebol, Brasil de tantos craques, glórias e conquistas, Brasil que ruiu diante de muitas expectativas e acabou sendo humilhado jogando em sua própria terra.

João Paulo Magalhães

Sou, antes de qualquer coisa, um curioso. Por isso, admirador do saber, voraz e incansável na busca por conhecimento. Observador da sociedade e do comportamento humano em todas as suas facetas. Apaixonado por ciências e tecnologias, das antigas às modernas. Engenheiro da Computação e Mestre em Ciência da Computação por vocação. Apreciador de esportes, viagens, lugares, comidas, bebidas alcoólicas, cafés, rituais, filmes, histórias e estórias, séries, músicas, livros e uma boa conversa com amigos. Escrever é daquelas paixões que vêm e voltam tal qual um vício. Apareceu em minha vida desde a infância, cativada pela leitura outrora (e quiçá de volta) incessante. Prosa, poesia, romances, ensaios, opiniões sempre inacabadas e em construção.
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