Ao invés de pular pro “lado de lá, de cá ou de acolá”, por que não pular pra luta?

Se 30% dos “cirandeiros” de um lado e de outro deixassem pra lá a política do oba-oba, da idolatria folclórica, do “Fla-Flu” e das provocações desnecessárias e alienantes e se propusessem a pressionar os candidatos para o debate aberto sobre questões municipais urgentes, poderíamos avançar um pouco. Projetos outros de gestão “popular” e que chutassem para fora velhas práticas coronelista, oligárquicas, “de apadrinhamento” e etc., poderiam entrar em cena.
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Mas o velho já morreu e não deixa o novo nascer: no ambiente festivo, com cada qual com seu “abadá”, seguindo o trio da ilusão e do abandono da crítica é expressão da crise política municipal (e não apenas). Assumir uma “cor” e se integrar a uma “tribo” (da moda) é a norma comportamental ao som da trilha da “mediocrização” e do silenciamento das contradições sociais, das lutas da classe trabalhadora, das mulheres, dos negros, das populações do campo, indígenas, do meio ambiente, etc.
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Em meio a tantos constrangimentos e tensões que envolvem pautas nacionais e internacionais, ao acirramento dos ânimos políticos-partidários de disputa do projeto de nação, à ocupação dos alunos secundaristas em diversos estados, ao avanço da agenda privatista na educação, ao fortalecimento do fascismo social, à tentativa de ampliar para 80 horas semanais a carga horária de trabalho dos assalariados, à proposta insolente e ideológica da escola sem partido, dentre outras inúmeras questões dos cenários políticos das prévias das eleições municipais é um tiro de frustração que toca primeiro na alma, antes de perfurar a carne.
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Enquanto a indignação das minorias não tomar as massas e o grito político não for também crítico-social-popular, a Ana Célia vai ser Flávio, o Flávio vai ser Túlio, o Túlio vai ser Brito, o Brito vai ser Valdir e nenhum é o pobre sem trabalho, o enfermo sem remédio, a mulher agredida diariamente, a criança sem educação, a escola sem professores, a fome sem comida. Na velha política, pode até mudar o santo, só não muda o caráter (de dominação) da reza.

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